Holocausto
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Apesar de ainda haver discussão sobre o uso e abrangência do termo "Holocausto" (ver abaixo), o genocídio nazista contra os judeus foi parte de um conjunto mais amplo de atos de opressão e de assassinatos em massa agregados cometidos pelos governo nazista contra vários grupos étnicos, políticos e sociais na Europa.[5] Entre as principais vítimas não-judias do genocídio estão ciganos, poloneses, comunistas, homossexuais, prisioneiros de guerra soviéticos e deficientes físicos e mentais.[6] [7] [8] Segundo estimativas recentes baseadas em números obtidos desde a queda da União Soviética em 1989, um total de cerca de 11 milhões de civis (principalmente eslavos) e prisioneiros de guerra foram intencionalmente mortos pelo regime nazista.[9] [10]
Uma rede de mais de 40 mil instalações na Alemanha e nos territórios ocupados pelos nazistas foi utilizada para concentrar, manter, explorar e matar judeus e outras vítimas.[11] A perseguição e o genocídio foram realizados em etapas. Várias leis para excluir os judeus da sociedade civil — com maior destaque para as Leis de Nuremberg de 1935 — foram decretadas na Alemanha antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial na Europa. Campos de concentração foram criados e os presos enviados para lá eram submetidos a trabalho escravo até morrerem de exaustão ou por alguma doença. Quando a Alemanha ocupou novos territórios na Europa Oriental, unidades paramilitares especializadas chamadas Einsatzgruppen assassinaram mais de um milhão de judeus e adversários políticos durante fuzilamentos em massa. Os alemães confinaram judeus e ciganos em guetos superlotados, até serem transportados, através de trens de carga, para campos de extermínio, onde, se sobrevivessem à viagem, a maioria era sistematicamente morta em câmaras de gás. Cada ramo da burocracia alemã estava envolvido na logística que levou ao extermínio, o que faz com que alguns classifiquem o Terceiro Reich como um "um Estado genocida".[12]
Em 2007, entrou em vigor uma lei sancionada pela União Europeia (UE) que pune com prisão quem negar o Holocausto.[13] Em 2010, a UE também criou a base de dados europeia EHRI (em inglês: European Holocaust Research Infrastructure) para pesquisar e unificar arquivos sobre o genocídio.[14] A Organização das Nações Unidas (ONU) homenageia as vítimas do Holocausto desde 2005, ao tornar 27 de janeiro o Dia Internacional de Recordação do Holocausto, por ser o dia em que os prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz foram libertos.[15]
Índice
[esconder]Etimologia e uso do termo
Holocausto, Shoah e Solução Final
A palavra "holocausto", originalmente derivado da palavra grega holokauston grego, significando "oferta de sacrifício completamente (holos) queimada (kaustos)" ou "algo queimado oferecido a um deus". Em ritos pagãos gregos e romanos, deuses da terra e do submundo recebiam animais queimados, que eram oferecidos à noite. A palavra "holocausto" foi adotada mais tarde na tradução grega da Torá para se referir ao Olah,[16] que são ofertas de sacrifícios queimados individuais e comunais que os judeus eram obrigados[17] a fazer nos tempos do Beit Hamicdash (Templo de Jerusalém). Na sua forma latina, holocaustum, o termo foi usado pela primeira vez com referência específica a um massacre de judeus pelos cronistas Roger de Howden[18] e Richard de Devizes na Inglaterra do anos 1190.[19]Escrita em latim, Richard de Devizes, um monge do século XII, foi o primeiro cronista a registrar o uso o termo "holocaustum" na Grã-Bretanha.[20] Durante séculos, a palavra "holocausto" foi usada para designar grandes massacres. Desde os anos 1960, o termo passou a ser usado por estudiosos e escritores para se referir especificamente ao genocídio nazista contra o povo judeu.[21] A mini-série de televisão Holocausto ajudou a popularizar o termo na linguagem comum após 1978.[22]
A palavra bíblica shoah (שואה; também transliterado sho'ah and shoa), que significa "calamidade", tornou-se o termo hebraico padrão para o Holocausto já em 1940, especialmente na Europa e em Israel.[23]
Os nazistas usaram uma frase eufemística, a "Solução Final para a Questão Judaica" (em alemão: Endlösung der Judenfrage) e a expressão Solução Final tem sido amplamente utilizada como um termo para o genocídio dos judeus. Os nazistas usaram a frase lebensunwertes Leben (indignos da vida), em referência a suas vítimas, na tentativa de justificar os assassinatos.[24]
Designação para vítimas não-judias
Embora os termos "Shoah" e "Solução Final" sempre se refiram ao destino dos judeus durante o regime nazista, o termo "Holocausto" é usado às vezes em um sentido mais amplo para descrever outros genocídios do nazista e outros regimes. A Columbia Encyclopedia define "Holocausto" como o "nome dado ao período de perseguição e extermínio de judeus europeus pela Alemanha nazista".[25] A Microsoft Encarta fornece uma definição semelhante.[26] A Encyclopædia Britannica define "Holocausto" como "o assassinato sistemático patrocinado pelo Estado de seis milhões de judeus homens, mulheres e crianças, e milhões de outros pela Alemanha nazista e seus colaboradores durante a Segunda Guerra Mundial",[27] embora o artigo passa a digamos, "os nazistas também perseguiram os ciganos. Eles foram o único outro grupo que os nazistas mataram sistematicamente em câmaras de gás, juntamente com os judeus".[27]Os estudiosos estão divididos sobre se o termo Holocausto deve ser aplicado a todas as vítimas do assassinato em massa nazista, com um sinônimo de Shoah ou "Solução Final da Questão Judaica", e outros se o termo deve abranger a matança de povos ciganos, poloneses, as mortes de prisioneiros de guerra soviéticos, eslavos, homossexuais, testemunhas de Jeová, os deficientes e adversários políticos.[28]
A inclusão de vítimas não-judias dos nazistas no termo "Holocausto" é contestada por muitas pessoas, como Elie Wiesel e por organizações como a Yad Vashem, criada para homenagear as vítimas do Holocausto. Eles dizem que a palavra foi originalmente concebida para descrever o extermínio dos judeus e que o Holocausto judeu foi um crime em uma escala tal, e de tal totalidade e especificidade, como a culminação da longa história do antissemitismo europeu, que não deve ser incluído em uma categoria geral com todos os outros crimes cometidos pelos nazistas.[29]
Desenvolvimento e execução
Origem
A segunda metade do século XIX viu o surgimento na Alemanha e na Áustria-Hungria do movimento Völkisch, desenvolvido por pensadores como Houston Stewart Chamberlain e Paul de Lagarde. O movimento apresentava um racismo com uma base biológica pseudocientífica, onde os judeus eram vistos como uma raça em um combate mortal com a raça ariana pela dominação do mundo.[31] O antissemitismo Völkisch inspirou-se em estereótipos do antissemitismocristão, mas difere dele porque os judeus eram considerados uma raça, não uma religião.[32]
Em um discurso perante o Reichstag em 1895, o líder völkisch Hermann Ahlwardt chamou os judeus de "predadores" e de "bacilos da cólera", que deviam ser "exterminados" para o bem do povo alemão.[33] Em seu livro best-seller Wenn ich der Kaiser wär (Se eu fosse o Kaiser), de 1912, Heinrich Class, o líder do grupo völkisch Alldeutscher Verband, pediu que todos os judeus alemães fossem destituídos de sua cidadania e fossem reduzidos à Fremdenrecht (estrangeiro).[34] Class também pediu que os judeus fossem excluídos de todos os aspectos da vida alemã, proibido-os de possuir terras, ocupar cargos públicos ou de participar do jornalismo, de bancos e de profissões liberais.[34] Class definia como judeu alguém que era membro da religião judaica no dia em que o Império Alemão foi proclamado em 1871 ou qualquer pessoa com pelo menos um avô judeu.[34]
Durante o Império Alemão, o movimento Völkisch e o racismo pseudocientífico tornaram-se comuns e aceitos por toda a Alemanha,[35] sendo que as classes profissionais educadas do país, em particular, adotaram uma ideologia de desigualdade humana.[36] Embora os partidos völkisch tenham sido derrotados em eleições para o Reichstag em 1912, sendo quase dizimados, o antissemitismo foi incorporado nas plataformas dos principais partidos políticos do país.[35] O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista; NSDAP) foi fundado em 1920 como um desdobramento do movimento völkisch e adotou a ideologia antissemita[37]
Soldados nazistas em frente a uma loja em Berlim colando uma placa com os dizeres: "Alemães! Defendam-se! Não comprem de judeus" (em alemão: "Deutsche! Wehrt Euch! Kauft nicht bei Juden!").
As tensões econômicas da Grande Depressão levaram muitos na comunidade médica alemã a defender a ideia de eutanásia de deficientes físicos e mentais "incuráveis", como medida de economia de custos para liberar dinheiro para outros pacientes.[42] Até os nazistas chegarem ao poder em 1933, já existia uma tendência na política social alemã para salvar os racialmente "valiosos", enquanto buscava livrar a sociedade dos "indesejáveis".[43]
Hitler deixava seu ódio aos judeus explícito. Em seu livro Mein Kampf, ele avisou sobre sua intenção de expulsá-los da vida política, intelectual e cultural da Alemanha. Ele não escreveu que iria tentar exterminá-los, mas acredita-se que ele tenha sido mais explícito em privado. Já em 1922, ele teria dito ao major Joseph Hell, na época um jornalista:
Assim que eu realmente estiver no poder, minha primeira e mais importante tarefa será a aniquilação dos judeus. Tão logo eu tenha o poder de fazer isso, eu terei forcas construídas em fileiras - na Marienplatz em Munique, por exemplo, tantas quantas o tráfego permitir. Então os judeus serão enforcados indiscriminadamente, e eles continuarão pendurados até federem; eles ficarão pendurados lá tanto tempo quanto os princípios da higiene permitirem. Assim que eles tiverem sido desamarrados, o próximo lote será enforcado, e assim por diante da mesma maneira, até que o último judeu em Munique tiver sido exterminado. Outras cidades farão o mesmo, precisamente dessa maneira, até que toda a Alemanha tenha sido completamente limpa de judeus.[44]
Reassentamento e deportação
Refugiadas judias a bordo do MS St. Louis enquanto a embarcação atracava no porto de Havana, Cuba, em 1939. A entrada dos mais 900 refugiados judeus no navio foi recusada pelos governos de Cuba, Estados Unidos e Canadá
Planos para recuperar antigas colônias alemãs — como Tanganyika e Sudoeste Africano — através do reassentamento judaico foram interrompidos por Hitler, que argumentou que não existe lugar onde "tanto sangue dos heroicos alemães havia sido derramado" que deva ser disponibilizado como residência para os "piores inimigos dos alemães".[46] Esforços diplomáticos foram realizados para convencer as outras ex-potências coloniais, principalmente o Reino Unido e a França, a aceitarem os judeus expulsos em suas colônias.[47] As áreas consideradas para o possível reassentamento de judeus incluíam o Mandato Britânico na Palestina,[48] a Abissínia italiana,[48] a Rodésia britânica,[49] o Madagascar francês[48] e a Austrália.[50]
Dessas áreas, Madagascar foi o mais seriamente discutido. Heydrich chamou de "Plano Madagascar" uma "solução final territorial"; era um local remoto e as condições desfavoráveis da ilha iriam acelerar as mortes.[51] Aprovado por Hitler em 1938, o planejamento do reassentamento foi realizado pelo escritório de Adolf Eichmann, só sendo abandonado quando o extermínio em massa de judeus começou em 1941. Em retrospecto, embora inútil, este plano não constituiu um passo psicológico importante no caminho para o Holocausto.[52] O fim do Plano Madagascar foi anunciado em 10 de fevereiro de 1942. O Ministério do Exterior alemão deu a explicação oficial de que, devido à guerra com a União Soviética, os judeus estavam sendo "enviados para o leste".[53]
Os burocratas nazistas também desenvolveram planos para deportar os judeus da Europa para a Sibéria.[54] A Palestina foi o único local onde qualquer plano de reassentamento nazista conseguiu produzir resultados significativos, por meio de um acordo iniciado em 1933 entre a Federação Sionista da Alemanha (die Zionistische Vereinigung für Deutschland) e o governo nazista, o Acordo Haavara. Este acordo resultou na transferência de cerca de 60 mil judeus alemães e de 100 milhões de dólares da Alemanha para a Palestina, até a eclosão da Segunda Guerra Mundial.[55]
Campos de concentração e trabalho forçado (1933–1945)
A morte através do trabalho era uma política de extermínio sistemático - os presos tinham que, literalmente, trabalhar até a morte, ou trabalhar até a exaustão física, quando seriam então levados para as câmaras de gás ou eram fuzilados. O trabalho escravo foi utilizado na indústria da guerra, por exemplo, na produção dos foguetes V-2.[59]
No momento da admissão, alguns campos de concentração tatuavam os prisioneiros com uma identificação.[60] Aqueles que estavam aptos para o trabalho eram despachados para turnos de 12 a 14 horas. Antes e depois haviam revistas que às vezes podiam durar horas, com os presos regularmente morrendo por exposição.[61]
Guetos (1940–1945)
Os conselhos também eram responsáveis por fazer os arranjos para as deportações dos judeus para campos de extermínio,[64] portanto, o momento definidor que testou a coragem e o caráter de cada Judenrat veio quando eles foram convidados a fornecer uma lista de nomes do próximo grupo a ser deportado para os campos. Os membros do Judenrat tentavam métodos como suborno, obstrução, súplica e argumentação, até que, finalmente, uma decisão tinha de ser feita. Alguns, como Chaim Rumkowski, argumentam que a sua responsabilidade era salvar os judeus que poderiam ser salvos, e que, portanto, outros tinham que ser sacrificados, enquanto outros afirma que, seguindo Maimônides, nenhum indivíduo que não tenha cometido um crime capital deveria ser entregue. Líderes dos Judenrat, como o Dr. Joseph Parnas em Lviv, que se recusaram a compilar uma lista foram baleados. Em 14 de outubro de 1942, todo o Judenrat de Byaroza cometeu suicídio ao invés de cooperar com as deportações.[65]
A importância dos conselhos no sentido de facilitar a perseguição e o assassinato de habitantes dos guetos não se perdia nos alemães: um oficial foi enfático ao dizer que "a autoridade do conselho judaico deve ser mantida e reforçada em todas as circunstâncias"[66] e que "os judeus que desobedecem as instruções do Conselho Judaico devem ser tratados como sabotadores."[64] Quando essa cooperação se desintegrou, como aconteceu no gueto de Varsóvia após a Organização Judia de Combate tomar a autoridade do conselho, os alemães perderam o controle.[67]
Himmler ordenou o início das deportações em 19 de julho de 1942 e, três dias depois, em 22 de julho, as deportações do gueto de Varsóvia começaram e se estenderam ao longo dos próximos 52 dias, até 12 de setembro, quando 300 mil pessoas, apenas de Varsóvia, foram deportadas em trens de carga para o campo de extermínio de Treblinka. Muitos outros guetos foram completamente esvaziados.
"Os alemães chegaram, a polícia e eles começaram a bater nas casas: "Raus, raus, raus, Juden raus." ... Um bebê começou a chorar ... O outro bebê começou a chorar. Então, uma mãe urinou na mão e deu ao bebê como bebida para ele ficar quieto ... [Quando a polícia foi embora] Eu disse para a mãe sair. E um bebê estava morto ... de medo, a mãe sufocou seu próprio bebê."—Abraham Malik, ao descrever a sua experiência no Gueto de Kovno[70]
A primeira revolta em um gueto ocorreu em setembro de 1942, na pequena cidade de Łachwa, no sudeste da Polônia. Embora tentativas de resistência armada tenham surgido nos guetos maiores em 1943, como o Levante do Gueto de Varsóvia e do Gueto de Bialystok, em todos os casos elas não conseguiram lutar contra a esmagadora força militar nazista e os judeus rebeldes foram mortos ou deportados para os campos de extermínio.[71]
Conferência de Wannsee e Solução Final (1942–1945)
Ver também: Marcha da Morte (Holocausto)
A cópia da ata que foi elaborada por Eichmann sobreviveu, mas, por instruções de Heydrich, foram escritas em "linguagem eufemística". Assim, as palavras exatas usadas na reunião não são conhecidas.[73] No entanto, Heydrich liderou a reunião, indicando que a política de emigração foi substituída por uma política de evacuação de judeus para o leste. Isto foi visto como sendo apenas uma solução temporária que levaria a uma solução final que envolveria os cerca de 11 milhões de judeus que viviam não só em territórios controlados pelos alemães, mas pelos principais países do resto do mundo, como Reino Unido e Estados Unidos.[74] Há pouca dúvida sobre o que a Solução Final foi: "Heydrich também deixou claro o que foi entendido pela expressão "Solução Final": os judeus deviam ser aniquilados através de uma combinação de trabalho forçado e assassinato em massa."[75]
Os oficiais foram informados de que havia 2,3 milhões de judeus no Governo Geral, 850 mil na Hungria, 1,1 milhões nos outros países ocupados e de até cinco milhões na União Soviética, apesar de dois milhões destes estarem em áreas ainda sob controle soviético — um total de cerca de 6,5 milhões. Estes seriam todos transportados de trem para os campos de extermínio (Vernichtungslager) na Polônia, onde quase todos eles seriam imediatamente enviados para as câmaras de gás. Em alguns campos, como Auschwitz, aqueles que estavam aptos para trabalhar eram mantidos vivos por um tempo, mas todos acabavam mortos em algum momento.[76]
Libertação
Prisioneiros famintos no campo Mauthausen, em Ebensee, Áustria, libertados pela forças estadunidenses em 5 de maio de 1945.
Na maioria dos campos descobertos pelos soviéticos, quase todos os presos já tinham sido removidos, deixando apenas alguns milhares de pessoas vivas — 7 600 detentos foram encontrados em Auschwitz,[84] incluindo 180 crianças que haviam passado por experimentos médicos. Cerca de 60 mil prisioneiros foram descobertos em Bergen-Belsen pela 11ª Divisão Blindada britânica,[85] 13 mil cadáveres jaziam insepultos e outros 10 mil morreram de tifo ou desnutrição nas semanas seguintes.[86] Os britânicos forçaram os guardas restantes da SS a recolher os cadáveres e colocá-los em valas comuns.[87]
Richard Dimbleby, um correspondente da BBC, descreveu as cenas que o saudaram em Bergen-Belsen:
"Aqui mais de um acre de terra coberto por leigos mortos e moribundos. Você não podia ver quem era quem ... Um anônimo vivo deitado com a cabeça contra os cadáveres moveu a terrível e fantasmagórica procissão de pessoas magras, sem rumo, sem nada para fazer e sem nenhuma esperança de vida, incapazes de se moverem para fora do seu caminho, incapazes de olhar para os locais terríveis ao redor delas ... Bebês nasceram aqui, pequenas coisas enrugadas que não poderiam viver ... A mãe, enlouquecida, gritou para um sentinela britânico dar leite ao seu filho e empurrou o pequeno em seus braços ... Ele abriu o pacote e encontrou o bebê que já estava morto há dias. Este dia em Belsen foi o mais horrível da minha vida."[88]
Características principais
Apoio institucional
"Cada braço da sofisticada burocracia do país estava envolvido no processo de matança. Igrejas paroquiais e o Ministério do Interior forneciam registros de nascimento mostrando quem era judeu; os Correios entregaram ordens de deportação e de desnaturalização; o Ministério das Finanças confiscou propriedades judaicas; empresas alemãs demitiram trabalhadores judeus e acionistas judeus foram marginalizados."As universidades se recusavam a aceitar judeus, negavam diploma para aqueles que já estavam estudando e demitiam acadêmicos judeus; companhias de transportes públicos organizaram trens de carga para deportar as vítimas para os campos; as empresas farmacêuticas alemãs testaram drogas nos prisioneiros dos campos; empresas participaram das licitações para a construção dos crematórios; listas detalhadas de vítimas foram elaboradas utilizando máquinas de cartões perfurados da empresa Dehomag (IBM Alemanha), produzindo registros meticulosos dos assassinatos. Quando os prisioneiros entravam nos campos de extermínio, eles eram forçados a entregar toda a sua propriedade pessoal, que era catalogada e etiquetada antes de ser enviada para a Alemanha para ser reutilizada ou reciclada. Berenbaum escreve que a Solução Final para a "questão judaica" foi "aos olhos dos autores ... a maior conquista da Alemanha".[89] Através de uma conta oculta , o banco nacional alemão ajudou a lavar objetos de valor roubados das vítimas.
O historiador israelense Saul Friedländer escreve que: "Nem um grupo social, nenhuma comunidade religiosa, instituição acadêmica ou associação profissional na Alemanha e em toda a Europa declarou a sua solidariedade para com os judeus".[90] Ele afirma que algumas igrejas cristãs declararam que os judeus convertidos deviam ser considerados como parte do seu fieis, mas, mesmo assim, só até certo ponto. Friedländer argumenta que isso torna o Holocausto diferente, porque as políticas antissemitas eram capazes de se desenvolver sem a interferência de outras forças de compensação do tipo que são normalmente encontradas em sociedades avançadas, como a indústria, as pequenas empresas e grupos de lobby.[90]
Ideologia e escala
A motivação básica [do Holocausto] foi puramente ideológica, enraizada em um mundo ilusório da imaginação nazista, onde uma conspiração judaica internacional para controlar o mundo se opunha aos objetivos arianos. Até então nenhum genocídio tinha sido feito tão completamente baseado em mitos, em alucinações, no abstrato, em ideologias não pragmáticas — e que depois foi executado por meio maneiras muito racionais e pragmáticas.[91]O historiador alemão Eberhard Jäckel escreveu em 1986 que uma característica distintiva do Holocausto era que:
nunca antes um Estado com a autoridade de seu líder responsável decidiu e anunciou que um grupo humano específico, designadamente idosos, suas mulheres e seus filhos e crianças, seriam mortos o mais rápido possível e, em seguida, realizou esta resolução usando todos os meios de poder possíveis do Estado.[92]Os assassinatos eram sistematicamente realizados em praticamente todas as áreas do território ocupado pelos alemães onde agora estão 35 países europeus diferentes.[93] O extermínio foi mais grave na Europa Central e Oriental, que tinha mais de sete milhões de judeus em 1939. Cerca de cinco milhões de judeus foram mortos, incluindo três milhões na Polônia ocupada e mais de um milhão na União Soviética. Centenas de milhares de pessoas também morreram nos Países Baixos, França, Bélgica, Iugoslávia e Grécia. A Conferência de Wannsee deixa claro que os nazistas tinham a intenção de levar a "solução final da questão judaica" ao Reino Unido e aos Estados neutros na Europa, como Irlanda, Suíça, Turquia, Suécia, Portugal e Espanha.[94]
Qualquer pessoa com três ou quatro avós judeus era exterminada, sem exceção. Em outros genocídios, as pessoas podiam escapar da morte ao se converter a outra religião ou através de alguma outra forma de assimilação cultural. Esta opção não estava disponível para os judeus da Europa ocupada,[95] a menos que seus avós tenham se convertido antes de 18 de janeiro de 1871. Todas as pessoas com ascendência judaica recente deveriam ser exterminadas em terras controladas pela Alemanha nazista.[96]
Experimentos médicos
Crianças gêmeas eram mantidas vivas para serem usadas em experimentos médicos, como os realizados por Josef Mengele. Na imagem, crianças de Auschwitz libertas pelo Exército Vermelho, janeiro de 1945.
O mais notório desses médicos foi o Dr. Josef Mengele, que trabalhou no campo de Auschwitz. Seus experimentos incluíam colocar os "objetos" de pesquisa em câmaras de pressão, testar drogas neles, congelá-los e, na tentativa de mudar a cor dos olhos, injetar substâncias químicas nos olhos de crianças, além de várias amputações e outros tipos de cirurgias.[98] A extensão total do seu trabalho nunca será conhecida, porque os registros que ele enviou ao Dr. Otmar von Verschuer na Sociedade Kaiser Wilhelm foram destruídos por von Verschuer.[99] Os indivíduos que sobreviveram aos experimentos de Mengele eram quase sempre mortos e dissecados logo depois.
Ele realizou muitos experimentos com crianças ciganas. Ele trazia doces e brinquedos para elas e, pessoalmente levava-as para a câmara de gás. Elas a chamavam de "Onkel (tio) Mengele".[100] Vera Alexander foi uma prisioneira judia em Auschwitz que cuidou de 50 pares de gêmeos ciganos:
"Lembro-me de um par de gêmeos em especial: Guido e Ina, com cerca de quatro anos. Um dia, Mengele levou-os. Quando eles voltaram, estavam em um estado terrível: eles haviam sido costurados, entre as costas, como gêmeos siameses. Suas feridas ficaram infectadas e escorriam pus. Eles gritavam dia e noite. Então seus pais — eu lembro que Stella era o nome da mãe — conseguiram um pouco de morfina e mataram as crianças, para acabar com o seu sofrimento."[100]
Identificação de prisioneiros
Apesar das cores variarem de campo para campo, as cores mais comuns eram:
- amarelo: judeus — dois triângulos sobrepostos, para formar a Estrela de Davi, com a palavra Jude (judeu) inscrita; mischlings i.e., aqueles que eram considerados apenas parcialmente judeus, muitas vezes usavam apenas um triângulo amarelo.
- vermelho: dissidentes políticos, incluindo comunistas
- verde: criminoso comum. Criminosos de ascendência ariana recebiam freqüentemente privilégios especiais nos campos e poder sobre outros prisioneiros.
- púrpura (roxo): basicamente aplicava-se às Testemunhas de Jeová, que por objeção de consciência negavam-se a participar dos empenhos militares da Alemanha nazista e a renegar sua fé ao assinar uma declaração.
- azul: imigrantes.
- castanho: ciganos roma e sinti
- negro: lésbicas e anti-sociais (alcoólatras e indolentes)
- rosa: homossexuais
Campos de extermínio
Mapa do Holocausto na Europa, entre 1939 e 1945, mostrando todos os campos extermínio, a maioria dos campos de concentração e as principais rotas de deportação (em espanhol).
Campos de extermínio são frequentemente confundidos com campos de concentração, como Dachau e Belsen, que eram localizados em sua maioria na Alemanha e eram lugares de prisão e trabalho forçados para uma variedade de inimigos do regime nazista (tais como comunistas e homossexuais). Eles também devem ser distinguidos dos campos de trabalho escravo, que foram criados em todos os países ocupados pelos alemães para explorar o trabalho de prisioneiros de vários tipos, incluindo prisioneiros de guerra. Em todos os campos nazistas eram muito altas as taxas de mortalidade por fome, doença e exaustão, mas apenas os campos de extermínio eram projetados especificamente para assassinatos em massa.
Os campos de extermínio eram comandados por oficiais da SS, mas a maioria dos guardas eram auxiliares ucranianos ou do Báltico. Soldados alemães regulares eram mantidos longe.
Havia um lugar chamado "a rampa" de onde os trens com os judeus vinham. Eles chegavam dia e noite, às vezes um por dia ou cinco vezes por dia ... Constantemente, as pessoas da Europa Central foram desaparecendo e elas estavam chegando no mesmo lugar com a mesma ignorância do destino que tinham os ocupantes do transporte anterior. E as pessoas nessa massa ... Eu sabia que dentro de poucas horas ... noventa por cento iriam para as câmaras de gás.
Vítimas
| Vítimas | Mortos | Fonte |
|---|---|---|
| Eslavos | 12,5 milhões | [104] |
| Judeus | 5,9 milhões | [105] |
| Prisioneiros de guerra soviéticos | 2–3 milhões | [106] |
| Poloneses | 1,8–2 milhões | [107] [108] |
| Ciganos | 220.000–1,5 milhão | [109] [110] |
| Deficientes | 200.000–250.000 | [111] |
| Maçons | 80.000–200.000 | [112] [113] |
| Eslovenos | 20.000–25.000 | [114] |
| Homossexuais | 5.000–15.000 | [115] |
| Testemunhas de Jeová | 2.500–5.000 | [116] |
As definições mais amplas incluem cerca de dois a três milhões prisioneiros de guerra soviéticos, dois milhões de poloneses, cerca de 1,5 milhão de ciganos, 200 mil deficientes, dissidentes políticos e religiosos, 15 mil homossexuais e cinco mil Testemunhas de Jeová, elevando o número de mortos para cerca de 11 milhões de pessoas. Uma definição mais abrangente incluiria seis milhões de civis soviéticos, elevando o número de mortos para 17 milhões.[117] Um projeto de pesquisa realizado pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos estima que de 15 a 20 milhões de pessoas morreram ou foram presas.[11] R. J. Rummel estima que o total de mortos no democídio da Alemanha nazista seja de cerca de 21 milhões de pessoas. Outras estimativas colocam apenas as vítimas totais de cidadãos soviéticos em cerca de 26 milhões de pessoas mortas.[121]
Judeus
Campo de concentração de Buchenwald. Dia da libertação em 16 de abril de 1945. No segundo andar do beliche, o sétimo a contar da esquerda é Elie Wiesel, o Prêmio Nobel da Paz de 1986.
A estimativa de Hilberg de 5,1 milhões de mortes na terceira edição de A Destruição dos Judeus Europeus, inclui mais de 800 mil pessoas que morreram por "guetização e privação geral"; 1,4 milhão por fuzilamento ao ar livre e até 2,9 milhões que pereceram nos campos de extermínio. Hilberg estima que o número de mortes de judeus na Polônia seja de até três milhões.[128] A estimativa de Hilberg é geralmente considerada conservadora, uma vez que normalmente inclui apenas as mortes que estão nos registros que estão disponíveis, sem ajuste estatístico.[129] O historiador britânico Martin Gilbert chegou a um "cálculo mínimo" de mais de 5,75 milhões de vítimas judias.[130] Lucy S. Dawidowicz utilizados os dados do censo pré-guerra para estimar que 5 934 000 judeus morreram.[131]
Havia de oito a dez milhões de judeus nos territórios controlados direta ou indiretamente pela Alemanha nazista (a incerteza decorre da falta de conhecimento sobre quantos judeus havia na União Soviética). Os seis milhões de mortos no Holocausto, portanto, representam 60 a 75 por cento destes judeus. Dos 3,3 milhões de judeus da Polônia, mais de 90 por cento foram mortos. A mesma proporção foi morta na Letônia e na Lituânia, mas a maioria dos judeus da Estônia foram evacuados a tempo. Dos 750 mil judeus na Alemanha e na Áustria em 1933, apenas cerca de um quarto sobreviveu. Embora muitos judeus alemães tenham emigrado antes de 1939, a maioria deles fugiu para Checoslováquia, França ou Países Baixos, de onde mais tarde foram deportados para a morte. Na Checoslováquia, na Grécia, nos Países Baixos e na Iugoslávia, mais de 70 por cento foram mortos. De 50 a 70 por cento dos judeus foram mortos na Romênia, na Bélgica e na Hungria. É provável que uma proporção similar foi morta na Bielorrússia e na Ucrânia, mas estes números são menos certos. Entre os países com proporções de mortes menores estão Bulgária, Dinamarca, França, Itália e Noruega. A Albânia foi o único país ocupado pela Alemanha que tinha uma população judaica significativamente maior em 1945 do que em 1939. A cerca de duas centenas de judeus nativos e a mais de mil refugiados foram fornecidos documentos falsos, esconderijo (quando necessário) e, geralmente, aos judeus era dado tratamento de honra em um país cuja população era 60% composta por muçulmanos.[132] Além disso, o Império Japonês, como membro do Eixo, tinha sua própria versão das políticas alemãs em relação aos judeus, como no Gueto de Xangai, na China.
Eslavos
A autora e historiadora Doris L. Bergen tem escrito: "eu gosto tanto do modo de escrever nazista, o Plano Geral Leste era cheio de eufemismos. ... No entanto as suas intenções eram óbvias. Ele também deixou claro que as políticas alemãs em direção a diferentes grupos populacionais estavam intimamente ligadas. A colonização de alemães no leste; a expulsão, a escravização e a dizimação dos povos eslavos e o assassinato de judeus eram todos parte de um mesmo plano."[134]
Segundo o historiador William W. Hagen:
O Generalplan Ost ... causou a diminuição das populações dos povos europeus localizados a leste através nas seguintes medidas: 85 por cento dos poloneses; 75 por cento dos bielorrusos; 65 por cento dos ucranianos; 50 por cento dos tchecos. Estas reduções enormes resultariam do "extermínio pelo trabalho" ou da dizimação através de desnutrição, doenças e controles reprodutivos. ... O povo russo, uma vez subjugado na guerra, iria se juntar às quatro nações de língua eslava cujo destino estava prenunciado pelo Generalplan Ost.[135]
Poloneses
As ações adotadas contra os poloneses étnicos não chegaram à escala do genocídio dos judeus. A maioria dos judeus poloneses (talvez 90% da sua população pré-guerra) morreu durante o Holocausto, enquanto a maioria dos poloneses cristãos sobreviveram à brutal ocupação alemã.[141] Entre 1,8 e 2,1 milhões de cidadãos poloneses não-judeus pereceram em mãos alemãs durante o curso da guerra, dos quais cerca de quatro quintos eram poloneses étnicos, sendo o quinto restante composto por minorias étnicas de ucranianos e bielorrussos, a grande maioria delas civis.[107] [108] Pelo menos 200 mil dessas vítimas morreram em campos de concentração, sendo cerca de 146 mil delas mortas em Auschwitz. Muitos outros morreram como resultado de massacres, como na Revolta de Varsóvia, onde entre 120 mil e 200 mil civis foram mortos.[142] [143]
Ciganos
Antropólogos alemães foram forçados a enfrentar o facto de os ciganos serem descendentes dos invasores arianos, que regressaram à Europa. Ironicamente, isto torna-os não menos arianos que os próprios alemães, pelo menos na prática, senão em teoria. Este dilema foi solucionado pelo professor Hans Gunther, um conhecido cientista racial, que escreveu:
| “ | Os ciganos retiveram na verdade alguns elementos da sua origem nórdica, mas eles descendem das classes mais baixas da população dessa região. No decurso da sua migração, eles absorveram o sangue dos povos circundantes, tornando-se assim uma mistura racial oriental, asiática-ocidental com uma adição de ascendência indiana, centro-asiática e europeia. | ” |
Donald Niewyk e Frances Nicosia afirmam que o número de mortos foi de pelo menos 130 mil dos quase um milhão de Roms e Sinti que viviam na Europa controlada pelos nazistas. Michael Berenbaum afirma que as estimativas de acadêmicos sérios situam-se entre 90 mil e 220 mil.[144] Um estudo de Sybil Milton, historiador sênior do Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, calculou uma taxa de mortalidade de pelo menos 220 mil e, possivelmente, mais perto de 500 mil, mas este estudo explicitamente exclui o Estado Independente da Croácia, onde o genocídio de ciganos foi intenso.[109] [145] Martin Gilbert estima um total de mais de 220 mil dos 700 mil ciganos na Europa.[146] Ian Hancock, diretor do Programa de Estudos Ciganos da Universidade do Texas em Austin, argumenta a favor de uma maior número, entre 500 mil e 1,5 milhão de mortos.[110] Hancock escreve que, proporcionalmente, o número de mortos igualado "e quase certamente ultrapassa o de vítimas judias".[147]
Prisioneiros de guerra soviéticos
Deficientes físicos e mentais
Ver também: Eugenia nazista e Castelo de Hartheim
Entre 1939 e 1941, de 80 a 100 mil adultos, cinco mil crianças e mil judeus em instituições médicas foram mortos.[151] Fora das instituições de saúde mental, os valores são estimados em 20 mil (de acordo com o Dr. Georg Renno, o vice-diretor do Castelo de Hartheim, um dos centros de eutanásia) ou 400 mil (de acordo com Frank Zeireis, o comandante do campo de concentração de Mauthausen).[151] Outros 300 mil foram esterilizadas à força.[152] No geral estima-se que mais de 200 mil pessoas com transtornos mentais de todos os tipos foram condenadas à morte, embora o seu assassinato em massa tenha recebido relativamente pouca atenção histórica. Junto com os deficientes físicos, pessoas que sofrem de nanismo também foram perseguidas. Muitas foram colocadas em exposição em gaiolas e sofreram experimentos médicos feitos pelos nazistas.[153] Apesar de não serem formalmente obrigados a participar, psiquiatras e instituições psiquiátricas estiveram no centro do embasamento, planejamento e execução dessas atrocidades em cada estágio e "constituíram a ligação" com a aniquilação dos judeus e de outras pessoas "indesejáveis" durante o Holocausto..[154] Depois de fortes protestos por parte das igrejas católicas e protestantes alemãs em 24 de agosto de 1941, Hitler ordenou o cancelamento do programa T4.[155]
Homossexuais
Ver também: Triângulo rosa e Institut für Sexualwissenschaft
O Homomonument em Amsterdã, Países Baixos, feito em homenagem aos homossexuais mortos pela Alemanha nazista.
Dezenas de milhares foram condenados entre 1933 e 1944 e enviados para campos de "reabilitação", onde eram identificados por braçadeiras amarelas.[158] Os triângulos rosas posteriores posteriores eram usados no lado esquerdo do casaco e direito da calça.[156] Centenas foram castrados por ordem judicial.[159] Eles foram humilhados, torturados, usados em experimentos hormonais realizados por médicos da SS e então mortos.[115] Steakley afirma que o conhecimento da extensão do sofrimento dos homossexuais durante guerra foi surgindo de forma lenta. Muitas vítimas mantiveram suas histórias em segredo, porque a homossexualidade permaneceu criminalizada na Alemanha do pós-guerra. Cerca de dois por cento dos homossexuais alemães foram perseguidos pelos nazistas.[156]
Maçons
Memorial para a Loge Liberté chérie, fundada em novembro de 1943 no Alojamento 6 de campo de Emslandlager, uma das duas únicas Lojas Maçônicas fundadas em um campo de concentração nazista
O Museu Memorial do Holocausto afirma que é difícil estimar o número exato de vítimas "porque muitos dos maçons que foram presos também eram judeus e ou membros da oposição política, não se sabe quantos indivíduos foram colocados em campos de concentração nazistas e/ou foram perseguidos só porque eram maçons."[167] A Grande Loja da Escócia, no entanto, estima que o número de maçons mortos fique entre 80 mil e 200 mil.[112]
Testemunhas de Jeová
Ver também: Triângulo roxo
Ao recusaram-se a jurar lealdade ao partido nazista ou a servir ao exército, cerca de 12 mil Testemunhas de Jeová foram forçados a usar um triângulo roxo e foram colocados em campos de concentração onde lhes foi dada a opção de renunciar a sua fé e submeter-se à autoridade do Estado nazista. Entre 2 500 e 5 000 pessoas foram mortas.[116] O historiador Detlef Garbe, diretor do Neuengamme Memorial, em Hamburgo, Alemanha, afirma que "nenhum outro movimento religioso resistiu à pressão para se conformar com o nacional-socialismo com unanimidade e firmeza comparáveis."[168]Impacto e consequências
O Holocausto deixou milhões de refugiados, incluindo muitos judeus que tinham perdido a maior parte ou todos os seus bens e familiares e muitas vezes ainda tinham de enfrentar o persistente antissemitismo em seus países de origem no período pós-guerra. O plano original dos Aliados era o de repatriar essas "pessoas deslocadas" para seus países de origem, mas muitos se recusaram ou não puderam voltar, visto que suas casas ou comunidades haviam sido destruídas. Como resultado, mais de 250 mil sobreviventes definharam em campos de refugiados durante anos após o fim da guerra. Como a maioria das pessoas deslocadas não podiam ou não queriam voltar para suas antigas casas na Europa e como as restrições à imigração para muitos países ocidentais ainda eram grande, a Palestina tornou-se o principal destino para muitos refugiados judeus. No entanto, os povos árabes locais se opuseram à imigração, o Reino Unido recusou-se a permitir que os refugiados judeus para o Mandato Britânico na Palestina e muitos países do bloco soviético tornaram a emigração difícil. Ex-guerrilheiros judeus na Europa, juntamente com o Haganah na Palestina, organizaram um grande esforço para contrabandear judeus para a Palestina, chamado Berihá, que transportou 250 mil judeus para o mandato. Em 1952, os campos de desalojados judeus foram fechados, com mais de 80 mil judeus nos Estados Unidos, cerca de 136 mil em Israel e outros de 20 mil em outros países, como Canadá e África do Sul.
Antes da Segunda Guerra Mundial, havia de 11 a 13 milhões falantes do idioma iídiche no mundo.[169] O Holocausto, porém, levou a um dramático e súbito declínio no uso do iídiche, visto que várias comunidades judaicas, tanto seculares quanto religiosas, que utilizavam o iídiche no seu dia-a-dia foram, em grande, parte destruídas. Cerca de 5 milhões, ou 85%, das vítimas do Holocausto, eram falantes de iídiche.[170] Nas décadas que precederam a Segunda Guerra Mundial, houve um enorme crescimento no reconhecimento do iídiche como língua oficial europeia judaica. Visto como um renascimento iídiche, houve grandes progressos na imprensa e na literatura iídiche, incluindo obras educativas e científicas, através dos anos 1930, em particular nos países do Leste Europeu, como a Polônia. Começando com a invasão nazista da Polônia em 1939 e depois com a destruição da cultura iídiche na Europa durante o restante da guerra. A língua e a cultura iídiche foram quase completamente erradicadas da Europa, com nenhuma chance de recuperar o seu estatuto como uma língua internacional para tentar unificar a diáspora judaica em todo o mundo.
Por conta da magnitude do Holocausto, muitos teólogos têm reexaminado os pontos de vista teológicos clássicos sobre a bondade e as ações de Deus no mundo.[171] Alguns crentes e ex-crentes questionam se as pessoas ainda podem ter alguma fé em Deus depois do Holocausto e algumas das respostas teológicas para estas perguntas são exploradas na teologia do Holocausto. Nela judeus ortodoxos dizem os motivos por que eles acreditam que o Holocausto aconteceu e, em um grau mais extremo, porque eles sentiram que os judeus da Europa mereciam morrer.[172]
Theodor Adorno disse a famosa frase de que "escrever poesia depois de Auschwitz é bárbaro"[173] e o Holocausto, de fato, teve um impacto profundo na arte e na literatura, tanto para judeus quanto para não-judeus. Algumas das mais famosas obras são de sobreviventes ou vítimas do Holocausto, como Elie Wiesel, Primo Levi, Viktor Frankl e Anne Frank, mas há um conjunto substancial de literatura e arte em muitas línguas. Na verdade, Paul Celan escreveu seu poema Todesfuge como uma resposta direta à frase de Adorno.[174]
O Holocausto também foi o tema de muitos filmes, incluindo o vencedores do Oscar A Lista de Schindler, O Pianista e A Vida é Bela. Com o envelhecimento da população de sobreviventes do Holocausto, tem havido um crescente atenção nos últimos anos para preservar a memória do genocídio. O resultado inclui grandes esforços para documentar suas histórias, icomo o projeto Survivors of the Shoah e o documentário Four Seasons,[175] bem como instituições dedicadas à memória e ao estudo do Holocausto, como o Yad Vashem, em Israel e o Museu Memorial do Holocausto, nos Estados Unidos.
Teorias
Funcionalismo versus Intencionalismo
| Parte de uma série sobre |
| Nazismo |
|---|
Outra controvérsia relacionada, foi iniciada recentemente pelo historiador Daniel Goldhagen, que argumenta que os alemães em geral sabiam e participaram com convicção no Holocausto, que teria a sua origem num anti-semitismo alemão profundamente enraizado. Goldhagen vê na Igreja cristã uma origem desse anti-semitismo (ver: Cristianismo e antissemitismo). No seu livro A Igreja Católica e o Holocausto – uma análise sobre culpa e expiação, Goldhagen reflecte sobre passagens do Novo Testamento claramente anti-semitas. Numa conferência que fez em Munique em 2003, Goldhagen colocou a seguinte questão:
| “ | Se em vez de frases como "pelos seus pecados os judeus têm de ser punidos", ou "os judeus desagradam a Deus e são inimigos de todos os homens" Paulo de Tarso tivesse escrito no Novo Testamento semelhantes frases sobre outro grupo qualquer, os negros por exemplo, será que não se poderia dizer que o Novo Testamento é racista? | ” |
Goldhagen explora também o facto de milhões de alemães terem participado nas atrocidades da Guerra, afirmando depois da guerra, se acusados (o que raramente aconteceu), que eles tinham de seguir ordens para evitar represálias.
No entanto, houve alguns casos de alemães que recusaram participar nas matanças maciças e outros crimes e que não foram punidos em forma nenhuma pelos nazis. Alemães casados com judeus que optaram por se manter com o seu companheiro permaneceram não-castigados e suas esposas judias sobreviveram.
Revisionistas e negadores
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Buchenwald após o fim da Segunda Guerra Mundial |
| Principais genocídios |
•De armênios no Império Otomano (1915)
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•De assírios no Império Otomano (1915)
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•De ucranianos na Ucrânia (1932-1933)
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•De judeus na Europa (1939-1945)
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•De minorias no Camboja (1975-1979)
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•De minorias em Kosovo (1997-1999)
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•De tutsis em Ruanda (1994)
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•De minorias em Dahfur (2003-atual)
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É comum que esta ideia seja associada imediatamente ao racismo, ao nazismo e ao neo-nazismo. Muitos que acreditam na versão histórica afirmam categoricamente que o negacionismo é uma forma de anti-semitismo. Muitos negacionistas, por outro lado, afirmam não serem anti-semitas, e que querem meramente contar a história como deve ser. Estas pessoas dizem que estão contentes por menos pessoas terem sido mortas do que previamente julgado e que desejam que outras pessoas interpretem os dados negacionistas como boas notícias. Porém, muitas vezes é possível identificar a divulgação de informações anti-semitas nos mesmos meios ou pelas mesmas pessoas que divulgam essas ideias.
O negacionismo do Holocausto possui pouquíssimos defensores no meio acadêmico, por se tratar de uma doutrina sem bases documentais fiáveis e profundamente eivadas de distorções de caráter ideológico. Além disso, a abundância de provas em contrário, confirmando o Holocausto, torna a defesa pública do Negacionismo praticamente impossível (ver: Discurso de Posen). Ainda assim, em alguns países, como a França, Alemanha, Áustria, Suíça e Israel, o negacionismo do Holocausto é um crime. Em outros, como Canadá, Austrália e Brasil são passíveis de outras sanções.
Nesse último, o Brasil, o negacionismo é associado ao anti-semitismo e este foi considerado uma forma de racismo, crime hediondo, que segundo o parecer jurídico do Supremo Tribunal Federal sujeita o infrator à pena máxima.[176]